Nossas safristas

as mulheres do cafezal

Nossas Donas

"Dia, Dona Menina!"

— o cumprimento que atravessa a manhã na vila

Mãos colhendo café

Antes do sol pensar em subir a serra, já tem cheiro de café riscando a cozinha. Não tem pressa, tem ritual: água que canta, pano que filtra, silêncio bom antes da casa acordar.

Ela cruza a porta, pisa o quintal como quem conhece cada pedacinho de chão pelo nome. Lá na frente, o cafezal espera. São elas – nossas mulheres de safra – que vão riscando o dia entre galhos e cerejas vermelhas.

Bota na terra, lenço no cabelo, riso fácil no meio da conversa. Mão que escolhe grão por grão é a mesma que sustenta casa, cria filho, inventa futuro.

Como você se sente colhendo?

"Como se cuidasse de um filho. Cada grão é um pedacinho de mim."

De onde vem a força da mulher?

"Da terra. Da gente que veio antes. Da menina que ainda mora aqui dentro."

Qual seu maior sonho hoje?

"Ver as outras mulheres da minha comunidade também donas do que fazem."

com gratidão

As mãos que fazem o nosso café

Cada xícara passa, primeiro, por elas. São rostos, histórias e afetos que dão sentido a tudo o que somos. A elas, a nossa mais terna homenagem.

Retrato de Aparecida

Aparecida

"Onde há cuidado, floresce um cafezal."

Retrato de Maria das Graças

Maria das Graças

"A serra me ensinou a ter o tempo da fruta."

Retrato de Rosária

Rosária

"Cada cereja colhida é uma oração silenciosa."

Retrato de Dona Lurdinha

Dona Lurdinha

"A renda do meu colarinho é da mesma mão que colhe."

Retrato de Cida

Cida

"Sou feita de manhãs cedinho e risada larga."

Retrato de Joana

Joana

"Verde é a cor da terra que me sustenta."

Retrato de Dona Geralda

Dona Geralda

"Sombra e água fresca — é o que a gente planta e colhe."

"E a cada amanhecer, são elas que ensinam o café a ter alma."